Agricultura regenerativa como nova forma de fazer a gestão de paisagens produtivas é tema do Fórum de Agricultura Regenerativa 2026
- Renata Costa

- 30 de jun.
- 3 min de leitura
Evento debateu financiamento, inovação e desafios para ampliar e dar escala a práticas regenerativas

A Bem Comunicar acompanhou o Fórum de Agricultura Regenerativa 2026, realizado em Piracicaba (SP), em 23 de junho. Promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), Imaflora e Sustainable Agriculture Network (SAN), o evento marcou sua primeira edição no Brasil e reuniu representantes do setor privado, academia, produtores rurais, investidores, organizações da sociedade civil e especialistas para discutir caminhos para ampliar a adoção da agricultura regenerativa em larga escala.
Agricultura regenerativa exige mudança sistêmica
Um dos consensos do evento foi que a agricultura regenerativa não deve ser compreendida como uma técnica isolada. Trata-se de uma reorientação da forma como as paisagens produtivas são geridas, buscando regenerar solos, fortalecer a biodiversidade e redesenhar cadeias agrícolas a partir de uma visão integrada de longo prazo.
Financiamento e redução de riscos são desafios centrais
Entre os temas mais debatidos estavam como viabilizar a adoção da agricultura regenerativa em larga escala sem depender exclusivamente de recursos filantrópicos.
Participantes destacaram a necessidade de investimentos iniciais para que produtores possam iniciar essa mudança. Experiências feitas na Argentina demonstraram resultados positivos quando há apoio filantrópico para absorver parte dos riscos, mas também levantaram uma questão central: como escalar esses modelos quando esse suporte não está disponível?
Estudos conduzidos no Reino Unido apontaram a ausência de contratos de fornecimento de longo prazo como um dos principais fatores que dificultam investimentos cujos retornos podem levar anos para se consolidar. A discussão apontou para a necessidade de se criar instrumentos financeiros, mecanismos de compartilhamento de riscos e políticas públicas capazes de dar mais segurança aos produtores.
Capital busca evidências para apoiar a transformação
O papel do financiamento climático e dos investimentos privados esteve presente em diversas mesas de discussão. Segundo dados apresentados pela Root Capital, seriam necessários entre US$ 200 bilhões e US$ 400 bilhões por ano para viabilizar a adoção global da agricultura regenerativa.
Representantes do Sustainable Agriculture Network ressaltaram que o capital tende a direcionar-se para iniciativas capazes de demonstrar resultados concretos. Em outras palavras, investidores buscam evidências, métricas e dados de campo que comprovem impactos ambientais, produtivos e sociais.
Bioinsumos e inovação precisam avançar
Outro tema recorrente foi a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento de bioinsumos. Especialistas destacaram que ainda existem desafios técnicos para que essas soluções alcancem níveis de desempenho equivalentes aos sistemas convencionais baseados em fertilizantes químicos e defensivos agrícolas.
Soluções precisam considerar contextos locais
A Landscape Alliance avaliou que não existem modelos universais para a agricultura regenerativa. As soluções precisam ser adaptadas às condições ambientais, sociais e econômicas de cada região.
Não existem fórmulas mágicas para regenerar solos ou restaurar ecossistemas, ressaltaram os participantes: os resultados dependem do tempo necessário para que os ciclos naturais aconteçam.
O bem-estar das famílias produtoras também importa
Além dos aspectos técnicos e financeiros, o fórum reforçou a importância de colocar as pessoas no centro das discussões.
Compreender as condições de vida das famílias produtoras é tão importante quanto medir indicadores ambientais ou produtivos. Questões como acesso a crédito, capacidade de investimento, qualidade de vida e motivações para a mudança influenciam diretamente a adoção de práticas regenerativas.
Essa abordagem amplia a compreensão sobre os fatores que impulsionam ou limitam a transformação dos sistemas produtivos e evidencia o papel das políticas públicas na criação de condições favoráveis para a mudança.
Mulheres são protagonistas da transformação no campo
O protagonismo feminino na agricultura também ganhou destaque. As discussões mostraram que as mulheres frequentemente atuam como ponte entre diferentes gerações, assumem funções de gestão e liderança nas propriedades e investem continuamente em qualificação técnica.
Mais do que apoiar as atividades produtivas, elas têm assumido papel central na tomada de decisões e na construção de estratégias voltadas à sustentabilidade das propriedades rurais. Segundo participantes, essa atuação contribui para uma administração mais sustentável e para a construção de condições de bem-estar para as famílias e comunidades rurais.
Uma transformação que exige colaboração
As discussões do Fórum de Agricultura Regenerativa 2026 reforçaram que a ampliação da agricultura regenerativa depende da combinação entre conhecimento técnico, inovação, bioinsumos, financiamento, políticas públicas, geração de evidências e valorização das pessoas que produzem alimentos.
Embora não existam soluções únicas, a agricultura regenerativa vem se consolidando como uma estratégia capaz de promover a saúde do solo, fortalecer a resiliência climática, impulsionar a sustentabilidade no campo e contribuir para sistemas alimentares mais equilibrados e duradouros.




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