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El Niño 2026: por que o fenômeno voltou a preocupar cientistas e governos?

  • Foto do escritor: Renata Costa
    Renata Costa
  • 25 de jun.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 30 de jun.

Entenda os impactos econômicos e climáticos desse fenômeno e como ele afeta o Brasil

Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real


Secas históricas, enchentes, ondas de calor e alta no preço dos alimentos. Nos últimos anos, o El Niño (oficialmente chamado de ENOS – El Niño Oscilação Sul) deixou de ser um termo restrito à meteorologia e passou a ocupar o centro das discussões sobre clima, economia e qualidade de vida, devido à força de seu impacto sobre essas áreas.


Uma pesquisa da Bem Comunicar realizada no Google Trends — ferramenta do Google que monitora o interesse de busca dos usuários ao longo do tempo — ajuda a ilustrar esse movimento. Dados analisados em maio de 2026 mostraram dois grandes picos globais de interesse pelo tema “El Niño” nos últimos cinco anos: o primeiro no segundo semestre de 2023 e o segundo justamente em 2026.


O comportamento se repetiu também no Brasil.


Em 2023, o aumento nas buscas coincidiu com a época em que ocorreu a confirmação oficial do retorno do fenômeno pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e pela Organização Meteorológica Mundial (WMO). No Brasil, houve uma sequência de eventos climáticos extremos: calor recorde, enchentes no Sul e seca severa na Amazônia.


Agora, em 2026, o interesse volta a crescer porque os principais centros climáticos internacionais, como a NOAA, a WMO e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), passaram a indicar alta probabilidade de retorno do El Niño. Em junho, a NOAA e a WMO informaram que o fenômeno já apresenta sinais de desenvolvimento no Oceano Pacífico Equatorial, com chances superiores a 80% de ocorrer ao longo do segundo semestre de 2026 e de persistir até o início de 2027.


O interesse crescente não é apenas resultado das previsões climáticas. Ele também reflete a memória recente dos impactos observados durante o forte episódio de El Niño de 2023-2024, associado a ondas de calor, secas e enchentes que afetaram diferentes regiões do planeta. Para muitas pessoas, o fenômeno deixou de ser apenas um conceito meteorológico e passou a representar riscos concretos para a economia, a produção de alimentos e a qualidade de vida.

O que é o El Niño?


O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Isso acontece quando os ventos que normalmente ajudam a regular a temperatura do Oceano Pacífico enfraquecem. Com isso, águas mais quentes se espalham pela região equatorial do oceano, alterando a circulação atmosférica e os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta — inclusive no Brasil.


Cientistas ainda estudam exatamente por que os ventos do Pacífico enfraquecem em alguns períodos. O que se sabe é que o oceano e a atmosfera funcionam como um sistema interligado: pequenas alterações na temperatura do mar e na circulação do ar podem desencadear um efeito em cadeia que favorece o surgimento do El Niño.


O fenômeno acontece em intervalos irregulares, geralmente entre dois e sete anos, e pode durar meses.




De que forma o que acontece no Oceano Pacífico chega ao Brasil?


Pode parecer estranho que mudanças na temperatura do Oceano Pacífico tenham impacto direto no clima brasileiro, mas isso acontece porque oceanos e atmosfera atuam como um sistema conectado.

As águas do Oceano Pacífico Equatorial que ficam mais quentes que o normal durante o El Niño estão em uma região próxima à linha do Equador, entre a América do Sul e a Oceania, banhando países como Equador e Peru e se estendendo em direção ao Pacífico próximo à Indonésia. Esse aquecimento aumenta a evaporação e altera a formação de nuvens, chuvas e ventos na região.


Como os ventos ajudam a distribuir calor e umidade pelo planeta, essa mudança acaba afetando a circulação atmosférica global.


No Brasil, seus efeitos variam conforme a região:

  • o Sul costuma registrar chuvas acima da média e maior risco de enchentes;

  • parte do Norte e da Amazônia tende a enfrentar secas mais severas;

  • o Nordeste pode sofrer redução de chuvas;

  • ondas de calor podem se tornar mais frequentes e intensas em diversas áreas do país.

Os efeitos do El Niño na vida e na economia brasileiras


Os impactos do fenômeno vão muito além da meteorologia e abrangem questões socioeconômicas, como:

  • aumento no preço dos alimentos;

  • prejuízos para agricultura e pecuária;

  • risco à segurança alimentar, devido aos impactos na produção e distribuição;

  • pressão sobre a geração e o consumo de energia;

  • danos a estradas, cidades e infraestrutura;

  • riscos à saúde;

  • crescimento dos custos públicos relacionados a emergências climáticas.


Na Amazônia, períodos mais secos também favorecem queimadas e dificultam a navegação em rios devido à diminuição do volume de água, comprometendo o transporte de mercadorias e o abastecimento de comunidades.

 

Foto: redcharlie/Unsplash

Qual a relação entre El Niño e mudanças climáticas?


O El Niño não é causado pelas mudanças climáticas e nem é causa delas. Ele é um fenômeno natural que existe há milhares de anos.


No entanto, os cientistas alertam para um ponto importante: seus impactos podem se tornar mais intensos em um planeta já aquecido pela ação humana. Em outras palavras, o fenômeno é natural — o contexto climático atual, não.


Segundo o IPCC, painel climático da ONU, o aquecimento global aumenta a probabilidade e a intensidade de eventos extremos, como secas, chuvas intensas e ondas de calor. Quando um episódio forte de El Niño acontece nesse cenário, seus efeitos podem ser potencializados — foi o que ocorreu entre 2023 e 2024.


Uma analogia simples ajuda a entender:


O El Niño é como uma onda que sempre existiu. As mudanças climáticas elevam o nível do mar. A mesma onda, agora, provoca estragos maiores.

2024: o ano mais quente da história


De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (WMO) e o observatório europeu Copernicus, 2024 foi o ano mais quente já registrado globalmente desde o início das medições modernas. A temperatura média da superfície do planeta ficou cerca de 1,55 °C acima da média do período pré-industrial (1850–1900), tornando-se também o primeiro ano a ultrapassar temporariamente o limite de 1,5 °C de aumento da temperatura média global estabelecido como referência no Acordo de Paris.

O recorde foi impulsionado principalmente pelas mudanças climáticas causadas pelas emissões de gases de efeito estufa. Nesse cenário, o El Niño teve papel importante ao adicionar calor extra à atmosfera.

Por que o tema desperta cada vez mais interesse?


Os dados do Google Trends sugerem uma mudança importante: o interesse público pelo El Niño cresce justamente nos momentos em que os efeitos climáticos se tornam mais visíveis no cotidiano.

Isso mostra como o clima deixou de ser apenas um tema científico ou ambiental. Há uma percepção crescente de que ele influencia diretamente a economia, a saúde, a segurança, a produção de alimentos e o planejamento das cidades.


Entender fenômenos como o El Niño em um planeta em aquecimento é, cada vez mais, uma necessidade para governos, empresas e cidadãos.

Dados e termos técnicos não precisam ser complicados. A Bem Comunicar é especialista em analisar informações técnico-científicas e traduzi-las em uma linguagem clara e estratégica para os seus públicos. Quer melhorar o posicionamento e a comunicação da sua organização? Entre em contato com a gente.
 
 
 
 

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